Expo Retrocoletivo apresenta obra de Marco Alessandro
Temática urbana é recorrente na obra do artista
O artista plástico Marco Alessandro Luziardi se aproximou dos desenhos na década de 1980, a partir de histórias em quadrinhos, da tirinha Chiclete com Banana, de Angeli, e do humor ácido da revista MAD. Mas foi a coleção Gênios da Pintura, que imediatamente despertou sua atenção, principalmente um artista holandês chamado Van Gogh.
Sua mãe, também artista plástica, nunca foi uma grande incentivadora. Apesar disso, Marco Alessandro iniciou sua carreira nos anos 90. Depois de uma viagem à Europa, da qual voltou sem nenhum trabalho considerável, ingressou na Escola de Artes do Mvsica, onde conheceu Nanci de Melo, artista plástica e sua grande incentivadora.
“Marco possui uma temática urbana, de onde tira personagens que habitam desde as ruas de Goiânia ao showbizz do rock. A partir desse imaginário globalizado, sua poética é desenvolvida de maneira informal, apresentando influências tanto de cartoons quanto de pintores da geração oitenta, nacional e internacional”, avalia Nanci.
Já em 1991, Marco e Nanci realizaram uma exposição, realizada na Multiarte Galeria, com alguns desenhos produzidos por eles. O nome não poderia ser mais apropriado: Caderno. “Nós arrumamos um bloco, cobrimos com papel pardo e colocamos um caderno aberto com nossos desenhos. Ela gravou uma música eletro-acústica, era um barulho, uma colagem, assim como nossas obras, e o som ficava rolando em um walkman que ficava ao lado da pasta”, lembra.
A primeira vez que ganhou dinheiro com arte foi a partir de trabalhos realizados com André Ervilha, porém ainda hoje, Marco não consegue sobreviver com o que ganha com seus trabalhos. Segundo o artista, apesar de produzir muito, sua maior dificuldade é divulgar suas obras e isso prejudica também a comercialização. “Hoje eu gosto do meu trabalho. Estou antenado, produzindo, mas não divulgo porque não sou marqueteiro. Em 2004, eu mandei um trabalho para a Funarte que foi selecionado para o Prêmio Funarte. Isso me trouxe um benefício moral enorme. Foi um desvirginamento, coisa que Goiânia nunca tinha me dado”, afirma Marco.
Goiânia não pode ser considerada uma capital que incentiva a produção artística. Não da forma como se esperaria de uma cidade com mais de um milhão de habitantes. “Parece que Goiânia não corresponde, não faz jus aos artistas que tem”, desabafa Marco Alessandro. Para ele, os bons artistas locais se preocupam muito mais em expor em outros centros, justamente por essa falta de reconhecimento. “Incentivo não tem, finge que tem. É muito pouco e dividido entre grupos específicos”, conclui.
Hoje, Marco é um dos artistas que integra a exposição Retrocoletivo realizada na Galeria Frei Confaloni. Participam do projeto artistas renomados da arte contemporânea como Pitágoras e jovens revelações, como Rodrigo Godá. Para a concretização da idéia que reúne artistas que passaram pela galeria os expositores precisaram tirar dinheiro do próprio bolso. “Eu tive que pagar R$ 30 para o rateio do material gráfico”, explica. Entretanto, apesar de não se conformarem com essa realidade, os artistas goianos acabam de sujeitando a esse tipo de situação por amor a arte. Como bem diz Marco Alessandro, “é hora de abrirmos nossos olhos e ouvidos”.
Arte Contemporânea Goiana Veja abaixo um trecho da entrevista com Carlos Senna, professor de Arte Moderna e Arte Contemporânea da Faculdade de Artes Visuais da Universidade Federal de Goiás falando sobre a arte contempotânea em Goiás nas décadas de 1990 e 2000 até os dias de hoje.
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