
Além do espetáculo
26/11/2008
Alessandra Alves |
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Grupo Raça atrai amantes da dança ao Teatro Goiânia
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Tango sob dois olhares, de Reginaldo Azevedo |
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No Teatro Goiânia, o mais tradicional espaço cultural da cidade, paira a expectativa de mais uma apresentação da Raça Cia de Dança (SP). Quem acompanha a trajetória da dança brasileira sabe da beleza e importância do trabalho da companhia paulista. A responsável pela evolução do grupo é a coreógrafa Roseli Rodrigues.
O surpreendente é que Roseli começou a dançar aos 21 anos de idade, na Faculdade de Educação Física de Guarulhos, onde estudou. "Decidi fazer Educação Física por causa do meu amor pelo movimento. No curso, existia uma disciplina chamada Dança e Educação e foi assim que eu me aproximei da dança. Com o tempo, descobri que eu não tinha nada a ver com o curso", explica.
Foi a partir desse contexto que Roseli Rodrigues resolveu abrir uma escola de dança e para sua surpresa, seus colegas, alunos do curso de Educação Física, se matricularam nas aulas. Assim nasceu a Raça Cia de Dança. Com oito bailarinos e oito bailarinas, coisa muito rara na época, a companhia chamou atenção em sua primeira passagem pelo Festival de Joinville. "O grupo não tinha muita técnica, mas tinha preparação física, o que chamou a atenção dos participantes do festival", lembra.
Durante seis anos, a companhia foi formada apenas por professores de Educação Física e esse foi um grande diferencial. "Eu desenvolvi uma técnica minha. Você pode ver a minha marca na minha companhia, essa coisa da Educação Física".
Segundo Roseli, o grupo foi se desenvolvendo e precisou aprimorar a técnica, o que determinou a contratação de professores de dança, com o intuito de melhorar o trabalho. A coreógrafa pontua que, devido ao nível técnico exigido nas grandes companhias, os integrantes são bailarinos profissionais.
Outra aposta de Roseli à frente da Raça foi a contratação de coreógrafos de renome para a montagem de algumas coreografias do grupo. "Para correr atrás do tempo perdido, eu comecei a contratar coreógrafos de fora como o Mário Nascimento, Ivonia Sater, o Rodovalho. Aliei o meu trabalho a grandes professores e isso foi muito positivo para todos nós. Sempre ouvi muitos conselhos no começo da minha carreira."
Ser bailarino
Para Roseli, um bom bailarino já nasce com algum tipo de aptidão especial para a dança. Entretanto, ela considera que o mais importante na carreira é a perseverança. Em uma rápida avaliação, a coreógrafa aponta a crueldade a que são submetidas, principalmente as bailarinas, para ingressarem no mercado de trabalho. "Às vezes, a menina se dedica a vida toda e aos 18 anos é obrigada a parar de dançar por falta de oportunidade", resume.
No caso dos rapazes, a realidade é menos dura, já que ainda hoje, por uma série de fatores, entre os quais o preconceito, existem poucos bons bailarinos. Não é à toa, que em sua companhia, Roseli conserva um bailarino há 17 anos. "Eu encaro a dança de um modo diferente, me preocupo com que eles prolonguem suas carreiras, mas que também sejam capazes de se dedicar a arte de outras formas".
Apesar de ser uma companhia consagrada dentro e fora do país, a Raça não conta com nenhuma espécie de patrocínio fixo. Dessa forma se apega às verbas de circulação. Atualmente, contam com uma verba cedida pelos Correios. "Nós somos aprovados em todas as leis de incentivo. Eu não entendo porque as empresas têm tanta resistência em apoiar a dança. Eles dizem que não traz visibilidade", avalia.
Dessa forma, o salário dos bailarinos vem das bilheterias obtidas com as apresentações. Quase todos trabalham em jornadas duplas, são professores, modelos, atores, apesar de todo o desgaste corporal por causa da extenuante rotina de ensaios. Essa rotina está longe do ideal para uma companhia profissional. Além disso, a montagem de um espetáculo é muito cara. São gastos com figurinos, trilha sonora, cenografia, iluminação, locais de ensaio, fisioterapeutas e professores.
Assim como acontece no futebol, na dança, os melhores bailarinos acabam saindo do país para dançar em companhias internacionais. "O brasileiro é muito talentoso. Me corta o coração ver nossos talentos indo embora para trabalhar em outros países. Se nós tivéssemos apoio das empresas e do governo, talento e público não faltam aqui", conclui.
Perguntada sobre a dança em Goiás, Roseli afirma que a Quasar Cia de Dança é uma grande referência nacional e mundial. "Eu sou apaixonada pelo trabalho do Rodovalho. Eu acho que trabalhar com humor é uma coisa muito difícil. Tem muito bom gosto. Sem dúvida ele é uma referência".

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