Choro: a música clássica do Brasil
28/11/2008
Alessandra Alves e Jeyce Rosa
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Saudosismo do choro é destaque na cena cultural goiana

Público lota as calçadas da Avenida Goiás nas sextas-feiras de choro

Ritmo tipicamente brasileiro, nascido no final do século 19, o choro, muitas vezes apagado por modismos musicais, retoma seu devido lugar de destaque em Goiânia. Vários bares, hotéis e casas de shows incluíram grupos locais e rodas de choro em suas programações.

Um dos eventos mais renomados na capital, que reúne semanalmente um grande público apreciador do estilo, na calçada da Avenida Goiás, em frente ao Centro de Memória e Referência Grande Hotel, é o projeto Grande Hotel Revive o Choro, da Secretaria Municipal de Cultura.

O professor de música, instrumentista e compositor Oscar Wilde é um dos responsáveis por esse crescimento. “Antigamente, os músicos trabalhavam o choro em Goiânia de forma isolada. Num certo momento, eu resolvi montar uma escola para trabalhar exclusivamente com música brasileira. Neste mesmo espaço, eu organizava apresentações dos alunos para os pais. Mais tarde, essas apresentações começaram a contar também com a presença de ‘chorões’ veteranos que, a partir daí, voltaram a se reunir. Assim nasceu o Clube do Choro local”, relembra.

Por falta de apoio financeiro, o projeto do Clube foi paralisado, só retornando em 2004. Neste ano, com o apoio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN, o grupo retomou o trabalho e voltou a se reunir semanalmente.

Agora, demonstrando a força desse estilo tipicamente brasileiro, o choro toma conta do centro da cidade, todas as sextas-feiras, a partir das 18h. “Na calçada acontece uma coisa mágica. Porque normalmente quando você vai assistir a um concerto de música erudita, só se encontra músicos assistindo. Normalmente, esse público não se mistura. Ali não. Músicos eruditos, universitários, sambistas, curiosos, todos se reúnem, dando valor à arte brasileira”, conclui Oscar.

O projeto Grande Hotel Revive o Choro é coordenado por Oscar Wilde e Marley Costa Leite desde 2007. O reconhecimento do trabalho foi recompensado, em novembro de 2008, quando o músico e a jornalista receberam no Palácio das Esmeraldas, o prêmio Destaque Cultural 2008 do Conselho Estadual de Cultura.

“Nossa intenção era a formação de público, aproximação dos profissionais, incentivo, valorização e resgate do choro, por isso o nome Grande Hotel Revive o Choro”, explica Marley.

Assessora de Comunicação da Secretaria Municipal de Cultura, Marley afirma que cada noite de choro recebe um publico médio de 1.200 pessoas, o que tem feito a assessora repensar o lugar do projeto para 2009. “Inicialmente era um projeto simples e tínhamos um público bem menor. Hoje, o interesse das pessoas e principalmente dos jovens pelo choro vem crescendo muito, o que nos faz imensamente felizes por termos atingido nossos objetivos”, conta Marley.

A idéia tem agradado o público goianiense em geral e sobretudo os jovens. Rodrigo Augusto, de 21 anos, foi algumas vezes no Grande Hotel Revive o Choro. “A idéia de colocar o chorinho no Grande Hotel foi muito boa, pois é uma oportunidade nova e alternativa de lazer. Alternativa porque aqui se valoriza muito o sertanejo e outros estilos como o forró e o pop, o público que freqüenta o chorinho da Goiás é formado por pessoas entendidas de música, que sabem apreciar o que é bom. Não que os outros gêneros musicais sejam ruins, mas o choro realmente encanta”, assegura Rodrigo.

Para Oscar, o projeto fortaleceu o grupo e o ritmo, servindo de vitrine para muitos músicos e mostrando que o choro é uma música forte, rica em harmonia, que requer muito estudo de quem pretende ser um chorão. Para o professor, “o choro é a nossa música clássica”.

 

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Comentários nesta matéria:

Carlos Filho disse em 02/12/08 | 17:32
Valeu Rodrigo! Ainda estamos acertando os últimos detalhes antes do lançamento oficial. Abraço


Rodrigo Augusto disse em 02/12/08 | 14:09
Adorei o site . Bem organizado !



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