
“O cinema goiano ainda é artesanal”
26/11/2008
Jeyce Rosa |
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Produtora executiva do Festcine fala sobre o cinema regional.
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Débora Torres: "O Festcine Goiânia tem cumprido suas metas na formação de platéia, difusão de cinema brasileiros e curtas goianos" |
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A afirmação é de Débora Torres Avelar, produtora executiva do Festcine Goiânia, evento que valoriza e premia o cinema. Ela está diretamente ligada a cultura é também diretora do Cine Municipal de Cultura Goiânia Ouro e conselheira municipal da cultura. O Revés3 conversou com ela e traz pra você um pouco mais sobre o Festcine 2008.
Revès3!: Como é feita a seleção dos filmes que participaram do Festcine? Débora: A seleção é feita por uma comissão de pré-seleção composta de cinco membros, que inicialmente assistem os filmes individualmente, durante 30 dias.Depois realizamos duas reuniões finais. Neste ano fizeram parte: Rubens Ewald Filho, Miguel Jorge, Rute Guedes, Beto Leão e Rosa Bernardo.
Revès3!: Os filmes puderam ser inscritos em quais categorias? Débora: Mostras Competitivas de Longas Documentário, de Longas Ficcção, de Curtas Goianos, de Vídeos Universitários. Tentamos abranger todos os gêneros, ficção, documentário, animação, experimental, vídeo arte entre outras.
Revès3!: Quantos filmes goianos foram selecionados? Débora: Foram 193 filmes exibidos no Festcine Goiânia, 11 longas nacionais (onde o 12° longa era goiano), 6 curtas da Mostra Centro-Oeste, 12 curtas de animação do festivalzinho, 12 curtas na Mostra Competitiva, 45 vídeos universitários,14 vídeos caseiros e 30 vídeos escolares.
Revès3!: Quais foram os valores das premições? Débora: São R$ 150 mil para o edital de curtas que tem janela de exibição no festival para cada isento de impostos. O melhor filme da Mostra Competitiva de Curtas-Metragens Goianos recebe R$ 20 mil, a melhor direção R$ 10 mil, e o ganhador do Prêmio Estímulo Documentário ganha R$ 30 mil. O Prêmio Estímulo Universitário premia o vencedor com R$ 10 mil e a melhor direção com R$ 5 mil. Já o melhor vídeo caseiro conquista R$ 5 mil.
Revès3!: Entre os vídeos universitários, o documentário A ilusão Viaja de Baú e a Liberdade de Bike, de Bruno Kals de Paolis Bartholo, ganhou o prêmio estímulo. O que significa a premiação? Débora: Que eles terão que fazer outro vídeo com este prêmio para apresentar no Festcine Goiânia 2009. Revès3!: Quando subiram ao palco, o grupo levantou polêmica entre os presentes quando disseram que nenhum deles é universitário e que nem se tratava de um vídeo universitário, mas sim de um protesto. Isso contradiz a premiação, que eles receberam, por que ganharam nesta categoria então? Débora: porque se inscreveram na categoria vídeo universitário, usando o nome de uma universidade na inscrição, a produção e o júri do festival desconheciam este fato. O que leva a organização do festival a cancelar a entrega do prêmio se não forem de fato universitários e transferir a premiação para o próximo mais votado. Desta vez, vídeo ‘universitário’ de fato. Revès3!: E qual é a sua opinião sobre a atitude do grupo ao vaiar o poder público municipal, que patrocina o evento e depois deixar isso bem claro no palco? Débora: A democracia e a liberdade de expressão existem para isso, para que as pessoas se manifestem. Entretanto, é obvio que houve um exagero da equipe, que desconhece o trabalho do poder público municipal, principalmente em sua esfera cultural. Goiânia tem se projetado nacionalmente, especialmente no segmento cultural, com a ajuda do poder público municipal que apóia iniciativas como o Festcine.
Revès3!: Qual a real participação e destaque para os cineastas goianos? Débora: Os 12 curtas goianos competitivos são exibidos em horários nobres, abrindo os longas nacionais, e os curtas patrocinados pelo edital abrem todas as noites as mostras competitivas. O destaque é absoluto, a maior parte da premiação fica em Goiás.
Revès3!: Nesse ano tivemos o primeiro longa goiano no Festcine, por que até então o mercado goiano nunca havia produzido nenhum longa? Débora: Tínhamos alguns, mas a comissão de pré-seleção não selecionou por não considerar com qualidade técnica e artística o bastante para concorrer entre os nacionais. Revès3!: Qual é a sua opinião sobre o Benzedura (longa goiano)? Por que não ganhou nenhum prêmio? Débora: Nunca vi o Benzeduras. Mas imagino que seja um bom documentário.Como produtora executiva, tenho que manter essa isenção. Não faço parte de nenhuma equipe de pré-seleção. As comissões de pré-seleção e júri oficial são soberanas.
Revès3!: Porque apesar de Goiânia ter tantos festivais e envolvimento com o cinema, a cidade ainda não possui sequer uma faculdade na área? Débora: Sei da UEG, Cambury e UFG, que mantêm especialização em cinema. Pelo que sei, não é uma tarefa fácil abrir uma faculdade de cinema, os custos são altos, necessita de mão de obra especializada e razões diversas.
Revès3!: Quem fez parte do corpo de jurados desse ano? Como eles foram escolhidos? Débora: Júri oficial-Adilson Ruiz - presidente-sp-professor de cinema da UNICAMP, Conceição Senna – cineasta – Bahia, Francisco de Paula - cineasta – RJ, Ronaldo Duque – cineasta – Brasília e Flávio Paranhos – crítico – Goiânia. Eles foram escolhidos pelo currículo e competência nos diversos gêneros cinematográficos. Revès3!: Na sua opinião, o cinema goiano se destaca dos demais? Por que? Débora: O cinema goiano ainda é um cinema artesanal como em vários estados brasileiros. Entretanto, o interesse da classe cinematográfica goiana, o poder de articulação das entidades e o fomento da secretaria municipal de cultura, através da lei municipal de incentivo e do Festcine Goiânia faz com que a produção goiana flua mais e melhor com projetos de interesse nacional. Revès3!: Muitos atores produtores e diretores saem de Goiânia para tentar carreira fora, na sua opinião por que isso acontece? Débora: A busca nasce de uma necessidade maior de contato com o meio cinematográfico mais profissional, mais industrializado, de uma formação mais ampla e específica e do anseio de recursos maiores na realização dos filmes, intercâmbio mesmo.
Revès3!: Você concorda com as premiações? Débora: É obvio que sim, a cada ano implementamos mais as premiações de curtas, que neste ano foi de R$ 60 mil e vídeos universitários goianieneses que tem o valor de R$ 25 mil, com exibição também em horário nobre. Em 2009, queremos aumentar as categorias de premiação de curtas e vídeos. Revès3!: Quais são seus projetos para o futuro? Débora: Bom, o Festcine cresce a cada ano e a tendência é crescer mais. E pessoais, dirigir meus longas.
Revès3!: Qual é o balanço que você faz da edição deste ano do Festcine? Débora: Um balanço altamente positivo! O Festcine Goiânia tem cumprido suas metas na formação de platéia, difusão de cinema brasileiros e curtas goianos, capacitação técnica profissional e fomento ao audiovisual através do edital de curtas. Hoje, o Festcine Goiânia é o segundo maior festival de cinema brasileiro em premiação.
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